Um ambiente para publicação de trabalhos voltados ao meio ambiente, que conta com a colaboração de renomados profissionais da área.
Pedimos a gentileza dos leitores, em caso de utilização dos textos aqui disponibilizados, citarem devidamente seus autores.
Agradecemos a gentileza dos profissionais que colaborarem conosco, e que com certeza ajudarão a enriquecer o conhecimento de nossos visitantes.
Agradecimento especial a nossa ex-professora Rose Gottardo, por nos apoiar e colaborar para a inauguração deste espaço.
Esperamos que VOCÊ aproveite o conteúdo e principalmente reflita sobre os textos.
Abraço,
Equipe Gades.
Rose Gottardo, mestre em Educação, pós-graduada em Educação Ambiental pela FSP-USP. É coordenadora do MBA em Gestão Ambiental do Instituto Nacional de Pós-Graduação-INPG; Foi Diretora de Educação Ambiental das Secretarias do Verde e do Meio Ambiente e da Educação na PMSP e Sócia-diretora da Economni Consultoria.
AQUECIMENTO GLOBAL E MIGRAÇÕES
Estudos recentes mostram que 200 milhões de pessoas no mundo terão que abandonar suas casas e países para sobreviverem até 2050, não por opção e sim por falta de alternativa, e o motivo - as mudanças climáticas.
Será que essa estória de migrar é uma novidade? Temos que lembrar que passamos isso no Brasil quando nordestinos vinham, hoje com menor quantidade para ao Sul e Sudeste em busca de melhor qualidade de vida ou sobrevivência e o motivo também é o ambiental. Atualmente temos migrações da população do Sul, para várias partes do país, por motivo das enchentes e secas freqüentes antes nunca vista.
O assunto é tão emergente que especialistas do Departamento de Inteligência dos EUA, acreditam que a questão climática pode derrubar governos, assim como desestabilizar regiões inteiras, levando a insegurança global.
Já foi constatado que, a primeira cidade onde toda a população saiu de sua terra natal por razões ambientais, com a elevação do mar no Oceano Pacífico, foi o Atol de Carteret, em Papua- Nova Guiné. A água do mar, além de invadir as residências, atacou a vegetação, dificultando a sobrevivência local.
Só para lembrarmos que, tudo está relacionado na questão ambiental, o global afeta o local e vice-versa, em Carteret não há carros, eletricidade, assim as emissões de dióxido de carbono local é quase nula e mesmo assim foram afetados pelo aquecimento global.
Segundo simulação sobre migração da Universidade Nacional de Defesa dos EUA em relação a Bangladesh, país populoso, de terras baixas, que depois dos ciclones e a subida do mar, as áreas onde cultivadas com arroz foram afetadas e substituídas por fazendas de camarão, onde o produto é caro para consumo local e quase toda produção é exportada, empregando menos pessoas, levando a outro problema, os refugiados.
Nesse contexto, milhares de refugiados iriam para Índia, provocando doenças, conflitos religiosos, além da precariedade da infra-estrutura local, provocando crise humanitária e militar.
Infelizmente as discussões sobre aquecimento global levam os países a pensarem na redução das emissões dos gases do efeito estufa, mas não há aprofundamento sobre a segurança mundial, que levará a guerras por sobrevivência.
Encontramos vários estudos que indicam com o aquecimento global, veremos terras ameaçadas, como o sul do Sudão, onde há conflitos pelo controle da escassez da água, matando e migrando milhares de pessoas oriundas da desertificação e seca do norte.
A diferença entre catástrofes ambientais de países ricos e pobres está que o últimohá menor capacidade de respostas à esses fenônemos e diferença dos atores envolvidos, como pessoas mais pobres, mulheres, crianças e o motivo vai além das questões econômicas, como se pensava tempos atrás.
O que percebemos é que apesar de estudos e notícias do que vem acontecendo no Brasil e no mundo em relação ao aquecimento global e migrações, não há muito que fazer e sim, adaptar-se a nova realidade, apesar de muitas pessoas, governantes e empresários, não acreditar que o assunto é realmente emergente e a solução está nas mãos de todos, pois como disse no início da matéria tudo está relacionado, vivemos numa teia, como diz Fritjof Capra.
Há muito tem se falado sobre a implantação de coleta seletiva tanto em empresas, escolas como nas cidades, mas será que é um processo fácil e rápido? A resposta é não, pois o sucesso do programa depende da adesão de toda a sociedade. Esse fato não é só constatado pelo poder público e sim pelos próprios cooperados (catadores que trabalham nas cooperativas de reciclagem).
Para o sucesso de um Programa de Coleta Seletiva numa cidade, vários aspectos devem ser considerados: vontade política em resolver o problema dos resíduos, planejamento adequado, viabilidade econômica da coleta seletiva e adesão dos munícipes.
Dentre os fatores positivos para implantação do Programa de Coleta Seletiva, podemos citar a melhoria da qualidade ambiental, redução de perdas no aproveitamento de resíduos e o aumento da vida útil de aterros sanitários, além do importante mecanismo de transformação dos hábitos da sociedade, por meio da Educação Ambiental.
Segundo Vilhena (CEMPRE) quando “a coleta seletiva é implantada sem planejamento adequado e rigor na operacionalização, inviabiliza o programa e leva a população a desconfiar de sua eficiência”.
O governo local deve iniciar o programa com um intenso processo de divulgação, usando a mídia interna (internet, boletins informativos, entre outros), além de toda mobilização para o público externo (sociedade) por meio de jornais, televisão, rádios e agora usando as ferramentas sociais, sem custos ao poder público, para que as pessoas separem o material e entreguem nos PEVs (Posto de Entrega Voluntária – coletores), caso a coleta não cubra lugares de difícil acesso. Essas informações poderiam também vir junto com as contas de água e luz a cada bimestre.
Paralelamente, ao trabalho de divulgação, o governo tem que melhorar a estrutura das cooperativas (caso já existam), implantando novas centrais e recolhendo os resíduos não comercializados do local. No Brasil, os casos mais bem sucedidos de coleta seletiva, são por meio de cooperativas.
Melhorar a Coleta Seletiva não significa produzir ou consumir mais e sim, usar os 5R de forma sustentável:
·Repensar o consumo – será que compramos tudo o que vamos usar?
·Reduzir o consumo – comprar somente o que é necessário;
·Reutilizar – reaproveite tudo que for possível e abuse da sua criatividade;
·Reciclar – se não deu para reutilizar, então recicle;
·Reflorestar – plante árvores, para embelezar, refrescar e melhorar o meio ambiente.
Mas o governo tem outro forte aliado para implantação do Programa de Coleta Seletiva nos municípios, as empresas. Elas buscam, para serem mais competitivas no mercado, certificações que as diferenciam dentre outras e a reciclagem é uma exigência da série ISO 14000.
Outro aliado, porém menos atrativo em longo prazo para apoio ao programa de Coleta Seletiva, são experiências de conscientização do munícipe usando moeda de troca, tiveram sucesso com o aumento do material em curto prazo e posteriormente prejuízos, como uso da mão de obra infantil, animais para tração e o não comprometimento da sociedade em relação ao resíduo gerado.
Enfim, o maior instrumento para o Programa de Coleta Seletiva ser bem sucedido é com um forte trabalho de Educação Ambiental contemplando os aspectos cognitivos e os afetivos. Os aspectos cognitivos ligados à aquisição de conceitos e conhecimentos e os aspectos afetivos oriundos da motivação, do aprofundamento de questões como vontade, desejo, interesse... aspectos totalmente subjetivos.
Assim, o trabalho de Educação Ambiental na Coleta Seletiva tem importância econômica, social e ambiental, além dos benefícios educativos e de saúde pública, pois a sociedade separa mais e melhor os materiais, contribui com a triagem dos resíduos, reduz o gasto da lavagem para pré-beneficiamento, diminui o rejeito nas cooperativas e aumenta a vida útil dos aterros.